
Silêncio. Vastidão. Isolamento. Distância (essa é uma palavra importante). Calma. Enfim, depois de tanto caminhar, descanso meus pés sofridos neste trecho inabitado para me instalar com apenas um propósito: saciedade. Sim, para matar minha sede por escrever. Para realizar essa necessidade humana de registrar e guardar minhas memórias. Meus problemas. Minhas ideologias. Meus amores. Minhas crenças. Minhas doenças.
Minha finalidade com isso? Essa é uma boa pergunta. Talvez ajude uma velha e tão jovem alma a descansar. Talvez me sirva como válvula de espace. Talvez me ajude a exercitar esse lirismo falho. Talvez ainda possa usar como pretexto de bons risos daqui a alguns anos, quando olhar para trás. Talvez não me sirva para nada.
Não me sinto confortável com visitantes, tampouco tenho que hospedá-los gentilmente nestes domínios e deixá-los opinarem em questões tão íntimas. Não, obrigado. Se espero ou ao menos desejo que ouçam meus delírios? Negativo. Se sinto incômodo com os que se escondem atrás das árvores deste bosque? Outra resposta negativa, embora eu ainda tenha que me acostumar com a idéia, admito. Aos que só estão de passagem, desejo-lhes uma boa caminhada. Aos que pretendem parar, acomodem-se e permaneçam invisíveis para não atrapalhar o fluxo de palavras desse desgastado contador.
Por que não compro um diário de uma vez? Outra pergunta boa, se me permite dizer. Quem sabe a resposta seja porque isso me soe prudente demais. Por que não ser totalmente idiota de uma vez e contar tudo a céu aberto? Porém, de alguma forma (uma forma bem imprudente), eu me sinto em casa. Melhor ainda, me sinto só. De alguma forma me parece o lugar certo para se fincar. Para fechar os olhos. Para abrir a mente.
Gosto de música. Gosto mais ainda das poucas que me expressam melhor do que conseguiria, mesmo que tentasse arduamente. Por isso sempre o trecho de uma encabeçará os meus lamentos. Esse trecho em particular que separei define bem o momento. Aos que se perguntam sobre o paradoxo entre me fixar em um lugar e continuar “viajando sem fim”, eu os explico: finalmente consegui o que queria. Parar de vagar com os pés. E, a partir de agora, poder viajar exclusivamente com meus pensamentos. Sem fim.