domingo, 3 de outubro de 2010

Just tonight I won’t leave, and I’ll lie and you’ll believe

Não há dor tão atenuada que não volte.
Não há paz tão soberana que não seja quebrada.
Não há amor tão grande que não seja desgastado.

Viver de mentiras tem seu preço. Amar inverdades me custa muito.
A cada dia me afundo mais na certeza de que nasci para isso.
Amar incertezas, me magoar de verdade.

Impotente, limpo o rosto e me preparo para mais uma noite.
De mentiras verdadeiras.
De verdades irreais.

sábado, 14 de agosto de 2010

But everytime I try, something comes and pulls me back to the start

Eu quero ajudar a ser ajudado. (Quero?)

Sei que deveria estar fazendo isso por mim, e finjo bem com um sorriso torto quando digo que penso em salvar minha própria pele. Mas não. Faço isso por eles. Por todos que me querem ver rosado e saudável. Não suporto mais magoá-los. Não suporto mais preocupá-los. Quem eu penso que sou?
Eu quero ajudar a ajudá-los.

Não se engane, também tenho medo. Medo do que pode acontecer comigo. Medo das paredes brancas. Do leito frio. Da veia furada, mais uma vez. Minha vida sendo perdida. E, pior ainda: a vida deles sendo perdida. Em corredores vazios. Com corações apertados. É mais do que possa suportar.
Tenho que ajudar a ser ajudado.

Mas não tenho controle, não consigo. É instintivo. Animal. Agressivo. Não minto, consegui grandes progressos. E, de certa forma, isso me deixa infeliz. Meu instinto fica insatisfeito. E aí tudo acontece. A recaída. A decepção. A minha decepção, a decepção deles. O meu egoísmo me decepciona. A minha autodestruição os decepciona.

Preciso de ajuda, preciso ajudá-los.

domingo, 8 de agosto de 2010

Keep your feet on the ground, when your head's in the clouds

Sabe quando, depois de uma longa e ociosa depressão (depressão a qual você já tinha se acostumado a conviver e havia se confortado nela), tudo começa a dar estranhamente certo em sua vida? Provavelmente em um passado nem um pouco distante eu estaria sonhando com isso. Mas agora não. Não mais. Agora tenho medo.

Não. Medo não. Desconfiança. Talvez seja pedir demais para uma pessoa tão acostumada a ver tudo dar tão irremediavelmente errado. Talvez esta pele já grossa e este gasto olhar ainda se recusem a aceitar os vislumbres de uma nova vida assustadoramente melhor.

Melhor?

Definitivamente, não sei. Não sei. Não sei. Não sei. Mais de nada.

Acho que sou um tolo. Que eu devo fechar os olhos e deixar ser levado por essa nova realidade. Que devo meter a cabeça nas nuvens e, quem sabe, alcançar uma estrela. Ou melhor, viver entre elas. Mas meu instinto não deixa. Meu medo de me machucar não me deixa levitar. Não consigo tirar meus pés do chão.

sábado, 31 de julho de 2010

You please me, complete me, believe me; like a melody.

Amo, de verdade. E sofro do pior amor que se pode ter: o amor não-tão-mas-mesmo-assim-muito platônico. Amo e sou amado. Amo, mas não posso ser amado. Não posso amar. Não no sentido verbal da palavra. Sem ações. Amo nominalmente. Só com palavras.

Amo, de verdade. E sou amado, de verdade. Tenho o coração de quem amo. Não tenho seu beijo, seu abraço, seu cheiro. E isso está me matando. Cada dia, um pedaço.

Amo, de verdade. Tenho planos impossíveis, futuros arquitetados com dias ensolarados e noites românticas. Talvez sonhe com o que não posso ter. Talvez seja por isso que servem os sonhos, afinal. Talvez seja por isso que me pergunto por que não posso viver neles por mais que algumas horas. Me conforto com ilusões. Pelo menos enquanto a realidade se mostra tão cruel e sem esperanças. Ou seja, por um bom tempo.

Amo, de verdade. E não pense que não tenho muito a agradecer. Obrigado por me satisfazer, me completar, me preencher. Como uma melodia. Te amo, de verdade. Mesmo que distante.

domingo, 11 de julho de 2010

I’m just one of those ghosts, travelling endlessly

Silêncio. Vastidão. Isolamento. Distância (essa é uma palavra importante). Calma. Enfim, depois de tanto caminhar, descanso meus pés sofridos neste trecho inabitado para me instalar com apenas um propósito: saciedade. Sim, para matar minha sede por escrever. Para realizar essa necessidade humana de registrar e guardar minhas memórias. Meus problemas. Minhas ideologias. Meus amores. Minhas crenças. Minhas doenças.
Minha finalidade com isso? Essa é uma boa pergunta. Talvez ajude uma velha e tão jovem alma a descansar. Talvez me sirva como válvula de espace. Talvez me ajude a exercitar esse lirismo falho. Talvez ainda possa usar como pretexto de bons risos daqui a alguns anos, quando olhar para trás. Talvez não me sirva para nada.
Não me sinto confortável com visitantes, tampouco tenho que hospedá-los gentilmente nestes domínios e deixá-los opinarem em questões tão íntimas. Não, obrigado. Se espero ou ao menos desejo que ouçam meus delírios? Negativo. Se sinto incômodo com os que se escondem atrás das árvores deste bosque? Outra resposta negativa, embora eu ainda tenha que me acostumar com a idéia, admito. Aos que só estão de passagem, desejo-lhes uma boa caminhada. Aos que pretendem parar, acomodem-se e permaneçam invisíveis para não atrapalhar o fluxo de palavras desse desgastado contador.
Por que não compro um diário de uma vez? Outra pergunta boa, se me permite dizer. Quem sabe a resposta seja porque isso me soe prudente demais. Por que não ser totalmente idiota de uma vez e contar tudo a céu aberto? Porém, de alguma forma (uma forma bem imprudente), eu me sinto em casa. Melhor ainda, me sinto só. De alguma forma me parece o lugar certo para se fincar. Para fechar os olhos. Para abrir a mente.
Gosto de música. Gosto mais ainda das poucas que me expressam melhor do que conseguiria, mesmo que tentasse arduamente. Por isso sempre o trecho de uma encabeçará os meus lamentos. Esse trecho em particular que separei define bem o momento. Aos que se perguntam sobre o paradoxo entre me fixar em um lugar e continuar “viajando sem fim”, eu os explico: finalmente consegui o que queria. Parar de vagar com os pés. E, a partir de agora, poder viajar exclusivamente com meus pensamentos. Sem fim.