
Amo, de verdade. E sofro do pior amor que se pode ter: o amor não-tão-mas-mesmo-assim-muito platônico. Amo e sou amado. Amo, mas não posso ser amado. Não posso amar. Não no sentido verbal da palavra. Sem ações. Amo nominalmente. Só com palavras.
Amo, de verdade. E sou amado, de verdade. Tenho o coração de quem amo. Não tenho seu beijo, seu abraço, seu cheiro. E isso está me matando. Cada dia, um pedaço.
Amo, de verdade. Tenho planos impossíveis, futuros arquitetados com dias ensolarados e noites românticas. Talvez sonhe com o que não posso ter. Talvez seja por isso que servem os sonhos, afinal. Talvez seja por isso que me pergunto por que não posso viver neles por mais que algumas horas. Me conforto com ilusões. Pelo menos enquanto a realidade se mostra tão cruel e sem esperanças. Ou seja, por um bom tempo.
Amo, de verdade. E não pense que não tenho muito a agradecer. Obrigado por me satisfazer, me completar, me preencher. Como uma melodia. Te amo, de verdade. Mesmo que distante.