
Eu quero ajudar a ser ajudado. (Quero?)
Sei que deveria estar fazendo isso por mim, e finjo bem com um sorriso torto quando digo que penso em salvar minha própria pele. Mas não. Faço isso por eles. Por todos que me querem ver rosado e saudável. Não suporto mais magoá-los. Não suporto mais preocupá-los. Quem eu penso que sou?
Eu quero ajudar a ajudá-los.
Não se engane, também tenho medo. Medo do que pode acontecer comigo. Medo das paredes brancas. Do leito frio. Da veia furada, mais uma vez. Minha vida sendo perdida. E, pior ainda: a vida deles sendo perdida. Em corredores vazios. Com corações apertados. É mais do que possa suportar.
Tenho que ajudar a ser ajudado.
Mas não tenho controle, não consigo. É instintivo. Animal. Agressivo. Não minto, consegui grandes progressos. E, de certa forma, isso me deixa infeliz. Meu instinto fica insatisfeito. E aí tudo acontece. A recaída. A decepção. A minha decepção, a decepção deles. O meu egoísmo me decepciona. A minha autodestruição os decepciona.
Preciso de ajuda, preciso ajudá-los.